O ransomware VECT 2.0 destrói arquivos de forma irreversível antes mesmo de a vítima decidir pagar o resgate. Uma análise publicada em junho de 2026 revela que falhas de implementação no malware fazem com que qualquer arquivo maior que 128 KB seja permanentemente danificado — sem possibilidade de recuperação, mesmo com o decryptor dos próprios atacantes.

Como o ransomware opera

O VECT 2.0 é um ransomware escrito em C++ que atinge Windows, Linux e ESXi. Ele percorre diretórios acessíveis e criptografa arquivos de negócios — documentos, PDFs, archives, backups, bancos de dados e discos virtuais — usando cifras ChaCha20 IETF. Executáveis do sistema (.exe, .dll, .sys) são deliberadamente ignorados para manter o host funcional.

Após a criptografia, o malware adiciona a extensão .vect ao nome do arquivo. O problema é que a presença dessa extensão indica apenas que o arquivo entrou no pipeline de processamento — não que a criptografia foi concluída com sucesso.

A falha que destrói dados

O VECT 2.0 divide arquivos maiores que 128 KB em quatro quadrantes e criptografa um bloco de 32 KB no início de cada um, usando nonces diferentes. Porém, apenas o último nonce é salvo em disco — os três primeiros são descartados permanentemente. Sem esses nonces, o decryptor não consegue reconstruir as regiões criptografadas.

A análise da Morphisec também identificou problemas adicionais na versão Windows: o ransomware usa buffers de memória compartilhados entre threads concorrentes, causando condições de corrida que podem corromper arquivos, deixar nomes inconsistentes ou gerar gravações parciais. O buffer de criptografia tem 32 KB, mas o limite de roteamento é 128 KB — arquivos entre esses dois tamanhos podem ser processados de forma imprevisível.

Falha Efeito
Nonces descartados em arquivos grandes 3 de 4 blocos criptografados ficam irrecuperáveis
Buffer de 32 KB vs. limite de 128 KB Arquivos intermediários correm risco de corrupção
Buffers compartilhados entre threads Condições de corrida geram gravações inconsistentes
Metadados mínimos (apenas 12 bytes) Decryptor não tem informação para recuperar o estado

Implicações para recuperação

A extensão .vect em um arquivo pode significar qualquer coisa: arquivo apenas renomeado sem criptografia, arquivo criptografado corretamente, ou arquivo irremediavelmente danificado. Ferramentas genéricas de decryptor assumem um formato consistente — quando essa premissa não se sustenta, a recuperação falha.

A descoberta tem paralelos com campanhas de destruição de dados mascaradas como ransomware, onde o objetivo real não é lucrar com resgates, mas causar danos permanentes. No caso do VECT 2.0, a destruição é acidental — resultado de código mal construído —, mas o efeito para a vítima é o mesmo.

Proteção e resposta ao ataque

  • Manter backups offline e imutáveis — a única garantia real contra perda de dados
  • Implementar detecção comportamental para atividade de criptografia em massa (monitoramento de extensões e I/O)
  • Segmentar redes para conter propagação lateral do ransomware
  • Em caso de infecção por VECT 2.0, priorizar arquivos menores que 128 KB na tentativa de recuperação
  • Não pagar o resgate sem análise forense prévia — para arquivos grandes, o decryptor não funciona
  • Considerar ferramentas de recuperação especializadas que avaliem o estado real de cada arquivo .vect

Fontes