Pesquisadores da ThreatDown revelaram em 17 de junho de 2026 detalhes técnicos do Prinz Eugen, novo ransomware escrito em Go que criptografa arquivos recentes primeiro, aplica ChaCha20-Poly1305 e emprega táticas anti-forenses para dificultar investigações. O grupo já publicou dados roubados de instituições financeiras sul-africanas, incluindo o Standard Bank Group.

Como o invasor entra

O grupo Prinz Eugen provavelmente obtém acesso inicial através de credenciais RDP comprometidas. Em seguida, baixa um executável chamado servertool.exe via Google Chrome e o move para a pasta Music do usuário. O encryptor recebe o diretório-alvo como parâmetro de linha de comando, com flag opcional --delete para apagar o arquivo original após a criptografia. A ênfase em credenciais expostas como vetor inicial é consistente com vazamentos recentes de bilhões de senhas que ampliam o risco de invasões via RDP.

No ambiente investigado pela ThreatDown, o invasor lançou o encryptor contra pastas específicas de usuário, incluindo Downloads, OneDrive, Documents, unidade C inteira e Google Drive compartilhado, revelando intenção de impacto máximo.

O encryptor escrito em Go

O binário é escrito em Go, com funções de criptografia agrupadas em um pacote chamado scorched-earth-ausfc. Para cada diretório recebido, executa caminhada recursiva sem limite de profundidade. O sample analisado não define exclusões, então criptografa todos os arquivos que não tenham extensão .prinzeugen nem sejam arquivos temporários .tmp.

A criptografia usa ChaCha20-Poly1305 com checagem de integridade. Múltiplos workers goroutine operam em paralelo, um por núcleo de CPU. Para um arquivo document.docx, o processo ocorre em três estágios: cria e criptografa uma cópia temporária .document.docx.prinzeugen.tmp, depois renomeia para a forma final document.docx.prinzeugen.

Por que foca arquivos recentes

O encryptor prioriza os arquivos modificados mais recentemente, com desempate alfabético para timestamps idênticos. Esta ordem é o que torna o ataque especialmente destrutivo. Arquivos recentes são os mais prováveis de estarem em uso ativo — documentos abertos, bancos de dados atuais, projetos recém-salvos, e-mails frescos — e os menos prováveis de terem backup atualizado.

Acertá-los primeiro coloca máxima pressão sobre a vítima para pagar rápido. Diferente da maioria dos ransomwares, o Prinz Eugen não deixa nota de resgate no disco. A extorsão acontece fora de banda, dificultando a análise forense e a identificação de indicações claras de comprometimento. A tática reforça a importância de operações de desmantelamento de infraestrutura criminosa e de defender ativamente ambientes críticos, como mostrado em falhas ativas em sandboxes de segurança.

Data Evento
16 abr 2026 Site de vazamento do Prinz Eugen aparece publicando dados do Standard Bank Group
11 maio 2026 Time da ThreatDown investiga infecção real em cliente
17 jun 2026 ThreatDown publica análise técnica completa do encryptor

Como se defender

  • Desative RDP exposto à internet ou restrinja via VPN e MFA obrigatória;
  • Monitore execuções de binários não assinados a partir de pastas de usuário (Downloads, Music, Temp);
  • Configure alertas para arquivos .prinzeugen ou renomeações em massa;
  • Implemente backups offline seguindo o modelo 3-2-1 e teste restauração periodicamente;
  • Use EDR com detecção comportamental para atividade criptográfica em rajada e múltiplas goroutines;
  • Aplique princípio do menor privilégio em contas de serviço usadas em integrações RDP.

Fontes