Um relatório da plataforma de análise ANY.RUN referente ao primeiro trimestre de 2026 revela que ataques baseados em ferramentas legítimas do Windows cresceram 58,4% em relação ao período anterior. Técnicas de “Living off the Land” permitem que invasores estabeleçam persistência em apenas 21 segundos e executem código em 16 segundos, dificultando a detecção por defesas tradicionais.

O levantamento analisou mais de 2,1 milhões de investigações de malware e phishing entre janeiro e março de 2026. Além do salto nas técnicas LOLBAS, ataques baseados em loaders quase dobraram e o roubo de credenciais cresceu 14,7%, sinalizando mudança na forma como atacantes operam.

Como o ataque funciona

A lógica operacional é simples: utilitários nativos como PowerShell, Windows Management Instrumentation (WMI), certutil, mshta e interpretadores JavaScript já possuem privilégios elevados e acesso irrestrito aos recursos do sistema. Quando abusados, permitem que invasores depositem loaders que buscam cargas secundárias, executem código na memória sem tocar no disco e se misturem com a atividade administrativa legítima.

Os loaders — programas leves de primeiro estágio — realizam o comprometimento inicial e depois direcionam para payloads como ransomware, RATs ou infostealers. A combinação de credenciais roubadas com abuso de ferramentas confiáveis cria cenários em que o monitoramento comportamental se torna indispensável, já que controles baseados em assinaturas falham sistematicamente. O ransomware Payouts King, que burla EDR com syscalls diretas, é um exemplo de como o ransomware evolui para contornar defesas tradicionais.

Velocidade e volume dos ataques

Os números do relatório ANY.RUN ilustram a dimensão do problema no primeiro trimestre de 2026:

Métrica Variação (Q1 2026)
Ataques com LOLBAS/LOTL +58,4%
Ataques com loaders Quase dobrou
Roubo de credenciais +14,7%
Tempo médio de persistência 21 segundos
Tempo até execução LOTL 16 segundos

Por que defensores falham

Ferramentas confiáveis geram telemetria que parece normal. A detecção precisa identificar desvios sutis: argumentos de linha de comando atípicos, relações incomuns entre processos pai e filho, destinos de rede suspeitos conectados a infraestrutura temporária de loaders ou uso repentina de interpretadores de script por usuários sem perfil administrativo.

A ANY.RUN recomenda acoplar linhas de base comportamentais com análise rápida em sandbox e inteligência de ameaças para validar se a atividade observada indica comprometimento real. A combinação de análise automatizada com TI encurta o tempo de investigação e reduz o impacto sobre o negócio.

Recomendações práticas

Implemente controle de aplicativos para restringir a invocação de ferramentas de risco como PowerShell em modo irrestrito e certutil com parâmetros de download. Aplique o princípio do menor privilégio em todas as estações e servidores. Reforce os endpoints contra execução arbitrária de scripts com políticas como AMSI e bloqueio de macros. Considere o uso de credenciais isca (canary credentials) para detectar autenticação ilícita e canalizar atividades suspeitas para análise automatizada em sandbox. Comprender os tipos de malware e seus comportamentos é fundamental para calibrar alertas e priorizar respostas.

Organizações que combinam sandbox com inteligência de ameaças confirmam exposição a roubo de credenciais, tráfego C2 e execução fileless com mais rapidez, reduzindo significativamente a janela de resposta ao incidente.

Fontes

GBHackers | Cyber Security News