A plataforma de phishing como serviço Kali365, já sinalizada pelo FBI, ampliou seus alvos além do Microsoft 365 e agora ataca AWS, Okta e serviços russos como Mail.ru e MAX Messenger. A campanha utiliza device code phishing para roubar tokens OAuth e bypassar autenticação multifator, com 126 servidores de comando e controle identificados em maio de 2026.

Como funciona o device code phishing

O ataque abusa do fluxo OAuth 2.0 de autorização de dispositivo, projetado originalmente para smart TVs e impressoras. O invasor gera uma solicitação legítima e engana a vítima — por exemplo, com um alerta falso de segurança — para que insira um código numa página de login real. Quando a vítima completa o passo de MFA, o serviço emite tokens de acesso diretamente para a sessão do atacante, sem que as credenciais da vítima sejam interceptadas em nenhum momento.

O FBI alertou em comunicado público que a plataforma oferece lures gerados por IA, templates de campanha automatizados e dashboards de rastreamento em tempo real, reduzindo drasticamente a barreira técnica para que criminosos sem conhecimento avançado lancem ataques sofisticados.

Novas plataformas sob ataque

Pesquisadores da Arctic Wolf identificaram uma infraestrutura de 126 hosts maliciosos ativos entre o início e o final de maio. A expansão de alvos inclui plataformas ocidentais como Amazon Web Services, Okta SSO e Xerox DocuShare, além de serviços russos como Mail.ru, Yandex Disk, Odnoklassniki e o mensageiro MAX, patrocinado pelo Estado russo com mais de 80 milhões de usuários.

A Arctic Wolf destacou que a conquista de contas MAX representa um risco especial: “Um operador de phishing que converter sequestros de contas MAX em propagação terá acesso a uma das maiores bases de mensageria do mundo de língua russa.”

Plataforma alvo Tipo Método
Microsoft 365 Produtividade corporativa Device code phishing
AWS Cloud computing Device code phishing
Okta SSO Identidade corporativa Device code phishing
MAX Messenger Mensageria (Rússia) Device code phishing
Mail.ru / Yandex Serviços digitais (Rússia) Device code phishing

Crescimento do mercado de PhaaS

A técnica de device code phishing tem crescido de forma alarmante em 2026, com a Push Security identificando pelo menos 14 kits dedicados a esse método em circulação, incluindo Tycoon2FA, Venom e CYB3R. O modelo de PhaaS permite que operadores com pouca habilidade técnica lancem campanhas em escala, com distribuição via Telegram e infraestrutura de C2 automatizada. Cada kit compete por clientes oferecendo mais plataformas suportadas, melhor evasão de detecção e suporte técnico dedicado.

Estratégias de proteção

Equipes de segurança devem treinar usuários para reconhecer solicitações de código de dispositivo não solicitadas. Avalie o risco de concessões de autorização de código de dispositivo em todos os aplicativos, especialmente para usuários com acesso privilegiado. Ativar MFA por si só não basta mais — é preciso restringir os fluxos de device code onde possível e monitorar concessões de token OAuth anormais.

Organizações que utilizam Microsoft Entra ID podem desativar o fluxo de código de dispositivo via políticas de acesso condicional, bloqueando o vetor principal do Kali365. Administradores do AWS IAM devem revisar políticas de trust que permitam device code flows e considerar restrições por IP ou condição de rede.

Fontes