EUA sancionam exchange cripto iraniana

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou em 2 de junho de 2026 a Nobitex, maior exchange de criptomoedas do Irã, junto com mais três plataformas — Wallex, Bitpin e Ramzinex — por evasão de sanções, financiamento ao terrorismo e lavagem de dinheiro em favor do regime iraniano. É a maior ação de enforcement já realizada contra a economia de ativos digitais do Irã.

Nobitex processava metade do fluxo

A Nobitex sozinha processou mais de 50% de todas as entradas de ativos digitais no Irã no último ano, segundo dados da Chainalysis. O ecossistema cripto iraniano atingiu US$ 7,78 bilhões em 2025, sendo que endereços associados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) representaram mais da metade do valor total recebido no quarto trimestre. A plataforma servia como nodo de financiamento terrorista: processava transferências de stablecoins para sustentar a moeda local em nome do Banco Central do Irã e liquidava transações para grupos de ransomware ligados à IRGC.

A ação também atingiu quatro executivos da Nobitex: o presidente Amir Hossein Rad, o CEO Seyed Ali Khoee e os cofundadores Seyed Mohammad Ali Aghamir e Seyed Mohammad Aghamir. A Chainalysis confirmou que as exchanges sancionadas transacionaram diretamente com entidades já designadas, incluindo a própria IRGC, o Hamas e o Banco Central do Irã.

Exchange Participação no fluxo iraniano Volume relevante
Nobitex > 50% das entradas Maior exchange do Irã
Wallex 12% das entradas Operação ativa em stablecoins
Bitpin 10% das entradas Ligada a operações da IRGC
Ramzinex Não especificado US$ 2,45 bilhões em transações desde 2018

Ransomware e evasão via stablecoins

O mecanismo de evasão funciona de forma direta: usuários e entidades governamentais iranianos convertem riais em stablecoins e as transmitem internacionalmente para liquidar comércio, contornando o bloqueio do sistema SWIFT. A Nobitex também permitiu que agentes do regime movessem patrimônio durante bloqueios de internet no país. A plataforma também era usada para liquidar pagamentos de resgate de operações de ransomware. Segundo o OFAC, estratégias anteriores já conseguiram congelar quase meio bilhão de dólares em criptomoedas ligadas ao regime.

Riscos e medidas para instituições

A abrangência das designações carrega riscos severos de sanções secundárias: qualquer instituição financeira ou VASP global que continue processando transações para essas exchanges pode ser cortada do sistema financeiro americano. A orientação imediata é atualizar protocolos de triagem de sanções e monitoramento de transações, bloquear contas ligadas às exchanges designadas e verificar exposição usando ferramentas de análise on-chain. A Chainalysis já rotulou todos os endereços associados às quatro exchanges em seus produtos para facilitar a identificação de exposição por parte de clientes.

Fontes e referências

Este relatório foi elaborado com base em dados publicados pela Chainalysis, BleepingComputer e Associated Press sobre as sanções do OFAC anunciadas em 2 de junho de 2026. Para análise completa dos volumes transacionais e endereços associados, consulte as fontes originais.