A agência de cibersegurança dos Estados Unidos adicionou a vulnerabilidade CVE-2026-72898 ao catálogo de Vulnerabilidades Conhecidamente Exploradas (KEV) da CISA em 11 de agosto de 2026, dando apenas três dias para que organizações apliquem a correção. A falha de injeção SQL no Metabase — ferramenta open source de análise de dados — recebeu pontuação CVSS 10,0 e permite que atacantes remotos sem autenticação assumam o controle total de instâncias expostas. O prazo final de remediação fixado pela CISA expira em 14 de agosto de 2026.
O ataque explora o endpoint /api/session/reset_password, por onde um invasor consegue injetar comandos SQL no banco de dados interno da aplicação Metabase e obter acesso de administrador. A partir daí, é possível roubar credenciais armazenadas dos bancos de dados conectados, ler e exportar dados sensíveis e reconfigurar a instância. A Metabase confirmou exploração ativa após um ataque à sua própria infraestrutura na nuvem utilizando uma vulneração desconhecida.
Como funciona a falha
A vulnerabilidade explora a ausência de sanitização adequada no endpoint de redefinição de senha. O registro no NVD descreve que o atacante remoto e não autenticado consegue injetar SQL arbitrário por meio do endpoint /reset_password e obter acesso de administrador à instância conectada do Metabase. A classificação CWE-89 confirma tratar-se de uma injeção SQL clássica.
O vetor CVSS 3.1 AV:N/AC:L/PR:N/UI:N/S:C/C:H/I:H/A:H mostra que a exploração ocorre pela rede, exige baixa complexidade técnica, não requer privilégios prévios nem interação humana e provoca impacto total em confidencialidade, integridade e disponibilidade. O atributo de escopo alterado (Scope: Changed) significa que o comprometimento da instância Metabase se propaga para todos os bancos de dados conectados a ela.
A Metabase identificou um padrão de ataque específico em seus logs de produção: uma chamada POST /api/session/reset_password com status HTTP 400, imediatamente seguida por GET /api/user/current com status 200 — sinal de que o atacante já obteve uma sessão autenticada após a injeção bem-sucedida.
Versões afetadas e correção
A Metabase liberou correções para todas as versões principais a partir da linha 58. Instâncias anteriores à versão 0.58 não são afetadas. A tabela resume as versões mínimas seguras para cada linha:
| Linha de versão | Edição | Versão mínima segura |
|---|---|---|
| 0.58.x | Open Source | 0.58.24 |
| 0.59.x | Open Source | 0.59.21 |
| 0.60.x | Open Source | 0.60.17 |
| 0.61.x | Open Source | 0.61.11 |
| 0.62.x | Open Source | 0.62.9 |
| 0.63.x | Open Source | 0.63.5 |
| 1.x (Enterprise) | Enterprise | Equivalente à linha OSS |
Clientes do Metabase Cloud já estão protegidos, pois a plataforma foi atualizada automaticamente após a detecção do incidente. Instâncias auto-hospedadas exigem atualização manual e imediata para a versão corrigida correspondente.
Como detectar o ataque
Administradores devem inspecionar os logs de acesso da aplicação e os logs de ingress do servidor procurando os indicadores de comprometimento (IOC) descritos pela Metabase:
- Sinal primário: requisição
POST /api/session/reset_passwordretornando HTTP 400. - Confirmação de comprometimento: requisição subsequente
GET /api/user/currentretornando HTTP 200, indicando sessão obtida pelo atacante. - Auditoria de sessões: consultar a tabela
core_sessionem busca de registros criados em horários atípicos. - Chaves de API: revisar e remover quaisquer chaves não reconhecidas pelos administradores.
- Contas administrativas: verificar alterações não autorizadas em contas com privilégios elevados.
A presença combinada do sinal primário e da confirmação nos logs indica alta probabilidade de comprometimento e exige ativação imediata do plano de resposta a incidentes.
Passos após atualizar
A Metabase recomenda que, após aplicar a correção em qualquer instância cujo endpoint de redefinição de senha estivesse publicamente acessível, os administradores executem o seguinte procedimento de contenção e verificação:
- Revogar todas as sessões ativas removendo todos os registros da tabela
core_sessionno banco de dados da aplicação. - Revisar e excluir qualquer chave de API que não tenha sido criada por administradores legítimos.
- Auditar contas de administrador quanto a criação indevida ou alteração de permissões.
- Rotacionar as credenciais de todos os bancos de dados conectados ao Metabase.
- Examinar os logs dos data warehouses conectados em busca de consultas não autorizadas.
- Revisar o histórico de atividade e consultas do Metabase em busca de operações anômalas.
Para equipes que não consigam atualizar de imediato, a Metabase orienta como mitigação temporária bloquear o acesso ao endpoint /api/session/reset_password por meio de regras de firewall de aplicação (WAF) ou proxy reverso.
Contexto do KEV da CISA
A CVE-2026-72898 chegou ao catálogo KEV — que reunia 1.665 vulnerabilidades em 13 de agosto de 2026 — no mesmo lote que incluiu a CVE-2026-68820 (Windows AFD) e a CVE-2026-20349 (Cisco ASA/FTD). O prazo de três dias imposto pela CISA reflete a combinação de exploração ativa confirmada com impacto técnico total na avaliação SSVC do coordenador.
Outras falhas críticas adicionadas recentemente ao catálogo incluem a CVE-2026-9198 no Langflow, que permite execução remota de código sem autenticação em deployments padrão, e a CVE-2026-18577 no N-central, que permite bypass de autenticação e tomada de conta na plataforma de gestão remota da N-able.