Falha de 19 anos no kernel

Um pesquisador de segurança descobriu uma vulnerabilidade de escalação de privilégios locais no kernel Linux, denominada CIFSwitch, que existe desde 2007 e permite que usuários sem privilégios obtenham acesso root em múltiplas distribuições. A falha explora o subsistema CIFS (Common Internet File System) do Linux e foi divulgada publicamente em 27 de maio de 2026.

O problema reside na forma como o kernel solicita autenticação Kerberos para montagens CIFS. Quando um compartilhamento de rede usa Kerberos, o kernel invoca o utilitário cifs.upcall como root para obter as credenciais SPNEGO. No entanto, o kernel nunca verifica se a requisição de chave cifs.spnego realmente originou-se do cliente CIFS — qualquer usuário pode criar uma requisição forjada e acionar o fluxo de autenticação.

Mecanismo de exploração

O atacante cria uma requisição cifs.spnego com campos controlados, incluindo upcall_target=app, que força o helper cifs.upcall a trocar para o namespace do atacante. Como o helper executa como root, ele realiza consultas de serviço de nomes (NSS) que carregam módulos compartilhados a partir de arquivos controlados pelo atacante dentro desse namespace. O construtor do módulo malicioso é executado com privilégios de root, completando a escalação.

O pesquisador Asim Manizada, engenheiro de segurança da SpaceX, creditou o uso de raciocínio gráfico assistido por LLM para identificar a vulnerabilidade — um padrão crescente onde ferramentas de IA escaneiam grandes bases de código e reconhecem padrões estruturais que humanos ignoraram por anos.

Distribuições afetadas

Distribuições vulneráveis com configuração padrão:

  • Linux Mint 21.3 e 22.3
  • CentOS Stream 9
  • Rocky Linux 9
  • AlmaLinux 9
  • SLES 15 SP7
  • Kali Linux 2021.4 a 2026.1

Ubuntu, Debian, Pop!_OS, openSUSE, Oracle Linux e Amazon Linux podem ser afetados se o pacote cifs-utils estiver instalado. Distribuições como Ubuntu 26.04, Fedora 40-44, CentOS Stream 10 e openSUSE Leap 16 possuem políticas SELinux ou AppArmor que bloqueiam a exploração por padrão.

Como mitigar o risco

O patch no kernel (commit 3da1fdf) adiciona validação da origem das requisições cifs.spnego. Para proteção imediata:

  • Desabilitar ou colocar na blacklist o módulo CIFS se não for necessário
  • Remover o pacote cifs-utils se não for usado
  • Desativar namespaces de usuário sem privilégios
  • Aplicar patch do kernel quando disponível para sua distribuição
  • Validar a eficácia do patch usando o proof-of-concept publicado

A CIFSwitch é a mais recente de uma série de falhas LPE no Linux, incluindo Copy Fail, Dirty Frag, Fragnesia, DirtyDecrypt e PinTheft.

Referências