Backdoor MonoGlyphRAT via e-mails falsos

Um backdoor JavaScript novo e inédito chamado JS.MonoGlyphRAT está sendo distribuído por e-mails com ordens de compra fraudulentas contra empresas dos Estados Unidos, segundo análise publicada nesta terça-feira (3) pela plataforma ANY.RUN. O malware opera via Windows Script Host, estabelece persistência no registro do Windows e funciona como loader para payloads adicionais, incluindo ransomware.

As vítimas são funcionários de departamentos de compras, vendas e finanças que recebem anexos .js disfarçados de cotações e propostas comerciais. Uma vez executado sob wscript.exe, o MonoGlyphRAT cria wrappers para WScript e WMI, coleta telemetria do sistema e se comunica com servidores C2 via cabeçalhos HTTP personalizados — um padrão que escuta a maioria das defesas tradicionais baseadas em assinatura.

Mecanismo de entrega e obfuscação

O malware utiliza uma convenção de nomensclatura distinta para frustrar análise estática: variáveis e funções compostas por repetição de caracteres em caixa mista, como IiIiIiIiiIII ou KkkKKKkKkK. Esse padrão “monoglyph” degrada severamente a legibilidade do código, dificultando a triagem manual.

A execução começa com o arquivo .js abrindo-se sob o interpretador wscript.exe, que é um processo legítimo do Windows. Em seguida, o malware copia-se para um subdiretório em %USERPROFILE% e cria uma entrada de autorun na chave de registro HKCU\Run, garantindo execução em cada logon do usuário.

Etapa Ação Detalhe Técnico
1. Chegada E-mail com anexo .js falso Disfarçado de pedido de compra ou cotação
2. Execução wscript.exe executa payload Processo legítimo do Windows, sem alertas visuais
3. Persistência Registro HKCU\Run Cópia em subdiretório do perfil do usuário
4. C2 Cabeçalhos X-A e X-S POST com corpo a=iz&b=<data>
5. Payload PowerShell encriptado via AES Bypass de AMSI, carregamento de .NET em memória

Capacidades do backdoor

O MonoGlyphRAT atua como backdoor persistente e loader flexível. Ele coleta informações detalhadas do sistema via WMI — incluindo modelo de hardware, número de série, capacidade de memória, GPU e lista de processos únicos — e envia tudo em JSON codificado com XOR para o servidor de comando e controle.

O C2 opera por meio de cabeçalhos HTTP: X-S identifica a sessão e X-A contém o comando. Os payloads subsequentes são stagers PowerShell encriptados com AES que o malware descriptografa e executa em memória, sem tocar no disco. Essa cadeia permite entregar ransomware, ferramentas de exfiltração ou RATs adicionais.

A ameaça está classificada como engenharia social sofisticada que explora a confiança em documentos comerciais legítimos. Casos recentes como o malware distribuído via páginas falsas mostram uma tendência crescente de ataques que abusem de fluxos de trabalho cotidianos.

Deteção e mitigação

No VirusTotal e ThreatFox, o malware continua classificado como “desconhecido”, o que torna defesas baseadas em assinatura ineficazes. A deteção confiável depende de análise comportamental: execuções atípicas de wscript.exe a partir de diretórios de usuário, processos PowerShell encadeados disparados por interpretadores de script, e modificações suspeitas em HKCU\Run.

Recomendações imediatas incluem bloquear execução de arquivos .js via GPO, detonar anexos de pedidos de compra em sandbox interativo (como o ANY.RUN) antes da entrega aos endpoints, e monitorar beaconing HTTP para portas e caminhos incomuns — como o endpoint ceoznp detectado no IP 158.94.211.76.

Indicadores de comprometimento

  • IPs C2: 158.94.211.76, 91.92.243.79
  • Domínios: scan.aryamint[.]com, aryamint[.]com
  • Ponto final C2: hxxp://158.94.211.76:34567/ceoznp
  • Cabeçalhos HTTP: X-A:, X-S:
  • Padrão POST: a=iz&b=<data>

Fontes