Como o bypass de autenticação funciona

Hackers exploram ativamente a CVE-2026-0257, bypass de autenticação no GlobalProtect VPN da Palo Alto Networks que permite invasores remotos estabelecer conexões VPN não autorizadas em redes corporativas. A Rapid7 confirmou exploração em múltiplos clientes desde 17 de maio de 2026, e a CISA adicionou a falha ao catálogo KEV com prazo de remediação para 1º de junho.

Vetor técnico do ataque

A raiz do problema está no recurso de authentication override cookies do PAN-OS. Este recurso emite cookies a usuários autenticados para evitar login repetido. A falha crítica: o servidor descriptografa o cookie e confia no conteúdo sem verificar assinatura. Esta não é a primeira vez que a autenticação VPN do PAN-OS é burlada por atacantes.

Quando o mesmo certificado é usado tanto para o serviço HTTPS quanto para criptografar os cookies de autenticação, o atacante pode: conectar-se ao portal HTTPS para obter a chave pública; forjar um cookie de autenticação arbitrário com a chave pública; e submetê-lo ao gateway — o servidor descriptografa e aceita sem validação. A função main_DecryptAppAuthCookie no serviço GlobalProtect simplesmente decodifica o cookie em base64, descriptografa com a chave privada e extrai os campos (usuário, domínio, host) sem nenhuma verificação de integridade.

Onda de ataques detectada

A Rapid7 identificou duas ondas de exploração com infraestrutura hospedada em provedores legítimos. Ambas as ondas apresentaram o mesmo endereço MAC spoofado, indicando um mesmo ator de ameaças por trás dos ataques.

Data Evento Infraestrutura
13 de maio Advisory publicada pela Palo Alto
17 de maio 1ª onda de exploração detectada Vultr (104.207.144.154)
21 de maio 2ª onda de exploração Dromatics Systems
29 de maio CISA adiciona ao catálogo KEV
1º de junho Prazo de remediação para agências federais

Em 8 de cada 10 clientes afetados, os cookies forjados foram aceitos mas a sessão VPN completa não foi estabelecida. Até o momento, não há evidência de movimentação lateral a partir dos dispositivos comprometidos.

Condições e remediação

A vulnerabilidade requer duas condições específicas: o recurso de authentication override habilitado no portal ou gateway GlobalProtect, e um certificado compartilhado entre o serviço HTTPS e os cookies de autenticação. Se a configuração não atender ambos os requisitos, o dispositivo não é vulnerável. Outras falhas na VPN da Palo Alto já demonstraram que dispositivos de perímetro são alvos prioritários.

A Palo Alto Networks publicou correções para todas as versões suportadas do PAN-OS. Como alternativas imediatas: desabilitar o recurso de authentication override ou gerar um certificado dedicado exclusivo para os cookies, separado do certificado HTTPS. A Rapid7 liberou indicadores de comprometimento e script de detecção no GitHub.

Fontes