Grupos de ameaça estão explorando configurações incorretas em ambientes Docker e Kubernetes para invadir servidores e comprometer clusters inteiros de cloud. Uma campanha do grupo TeamPCP envenenou repositório Docker Hub usado pela ferramenta de segurança Checkmarx KICS, extraindo credenciais do Kubernetes. A falha afeta milhares de infraestruturas containerizadas em produção no mundo todo.

Vetores de ataque em containers

Containers compartilham o kernel do host e dependem de namespaces e cgroups do Linux para isolamento. Quando esse isolamento falha — por privilégios excessivos, APIs expostas ou configuração fraca — o atacante escapa do container e assume o controle do servidor. Em muitos cenários, nem é preciso escapar: credenciais e tokens dentro do container já bastam para comprometer toda a infraestrutura cloud conectada.

A campanha TeamPCP demonstrou como imagens maliciosas em repositórios públicos podem ser usadas como vetor de entrada. O grupo envenenou um repositório Docker Hub legítimo, referenciado pela ferramenta de segurança Checkmarx KICS, embutindo um stealer que era ativado durante scans de segurança e extraía secrets do Kubernetes e credenciais de cloud.

Quedas históricas de CVEs

CVE Tipo de falha Impacto
CVE-2019-5736 runC — sobrescrita do binário Execução de código no host
CVE-2022-0492 cgroup — escape de container Contorno de isolamento
CVE-2024-21626 Descritor de arquivo exposto Acesso ao filesystem do host
CVE-2026-34040 Docker AuthZ — bypass de autorização Container privilegiado com acesso ao host

Como funciona a cadeia de ataque

O caminho típico começa com APIs do Docker ou Kubernetes expostas sem autenticação. O atacante obtém um token, enumera permissões e implanta um pod privilegiado que monta o filesystem do host. Com isso, altera arquivos críticos e obtém persistência total. O socket do Docker montado dentro de um container é outro vetor comum: quem controla o socket controla o host inteiro.

Capacidades como CAP_SYS_ADMIN e CAP_SYS_PTRACE, quando atribuídas ao container, permitem ler e modificar a memória de outros processos, injetar código e extrair dados sensíveis diretamente da RAM. Imagens maliciosas em repositórios públicos e pipelines CI/CD contaminados completam o quadro de vetores, permitindo que o atacante insira backdoors sem alterar a lógica da aplicação.

Como reduzir a superfície de risco

Audite regularmente as configurações de cluster com ferramentas como KICS, Trivy e kube-bench. Remova capabilities desnecessárias — rode containers com o perfil restricted do Pod Security Standards. Nunca exponha APIs do Docker ou Kubernetes à internet sem autenticação robusta. Implemente network policies para segmentar tráfego entre pods e limite a montagem de volumes sensíveis. Monitore em tempo real com Falco ou Tetragon para detectar comportamento anômalo dentro dos containers.

Fontes