Como o ataque funciona

Uma campanha de ataque identificada em maio de 2026 explora a vulnerabilidade crítica CVE-2026-35616 (CVSS 9.1) no FortiClient Enterprise Management Server (EMS) para distribuir o EKZ Infostealer, um malware de roubo de credenciais disfarçado de atualização legítima da Fortinet. A falha permite que invasores não autenticados executem código arbitrário e comprometam endpoints gerenciados pela plataforma corporativa.

Segundo pesquisa da Arctic Wolf, os invasores abusam de APIs do endpoint para executar ações administrativas sem autenticação. O atacante modifica a configuração do EMS e as políticas de VPN para introduzir a execução de scripts maliciosos. A Fortinet confirmou a exploração ativa no início de abril e lançou hotfixes de emergência para as versões 7.4.5 e 7.4.6 do produto. A CISA determinou que agências federais apliquem as correções.

Detalhe Informação
CVE CVE-2026-35616
CVSS 9.1 (Crítico)
Tipo Bypass de autenticação em API
Versões afetadas FortiClient EMS 7.4.5 e 7.4.6
Instâncias expostas ~2.000 detectadas na internet
Malware entregue EKZ Infostealer

A intrusão começa com a exploração da API de gerenciamento do EMS. O atacante envia requisições especialmente elaboradas que permitem acessar funções administrativas sem credenciais válidas. Com esse acesso, o invasor altera políticas de VPN e configurações de endpoint para injetar comandos maliciosos.

Segundos após os endpoints estabelecerem um túnel IPsec com um firewall FortiGate, o processo legítimo fortitray.exe executa scripts batch maliciosos por meio do Prompt de Comando. Esses scripts invocam um payload PowerShell codificado em base64 que baixa e executa o malware disfarçado como um patch da Fortinet, exfiltrando dados para um VPS controlado pelo atacante via HTTP.

EKZ Infostealer rouba dados

O malware, batizado EKZ Infostealer com base em símbolos internos extraídos do código decriptado, tem funcionalidade focada em roubo de credenciais de navegadores. Ele atinge sistemas baseados em Chromium (Chrome, Edge, Brave) e Firefox, extraindo credenciais armazenadas, detalhes de cartões de crédito, endereços, números de telefone e cookies de sessão.

A capacidade de contornar mecanismos de criptografia de senhas do Chrome torna o EKZ particularmente perigoso. Os cookies roubados concedem acesso a contas protegidas por autenticação multifator sem necessidade de login adicional, ampliando o alcance do ataque para e-mail, armazenamento em nuvem e sistemas corporativos inteiros.

Sinais de comprometimento

A Arctic Wolf identificou indicadores específicos de exploração. Nos logs do FortiClient EMS, a entrada “Certificate not found in request header” seguida em segundos por “Certificate user: fortinet-ca2 successfully updated” é um forte indicador de ataque em andamento.

Profissionais de segurança devem monitorar anomalias na autenticação de certificados, alterações não autorizadas nas configurações de Remote Access Profile, novas contas administrativas sem justificativa e logins originados de IPs de Tor ou provedores VPS. Qualquer modificação suspeita em políticas de VPN merece investigação imediata.

Medidas de proteção imediatas

  1. Aplique os hotfixes lançados pela Fortinet para as versões 7.4.5 e 7.4.6 do FortiClient EMS imediatamente
  2. Restrinja o acesso ao painel administrativo do EMS apenas a redes internas confiáveis, removendo exposição pública
  3. Monitore logs do EMS buscando a mensagem “Certificate not found in request header” seguida de atualizações de certificado
  4. Revise todas as contas administrativas e perfis de Remote Access criados ou modificados recentemente
  5. Analise endpoints gerenciados em busca de processos PowerShell suspeitos iniciados pelo fortitray.exe
  6. Invalide cookies de sessão de usuários com acesso ao EMS como medida preventiva

Fontes

BleepingComputer | Arctic Wolf Labs | The Hacker News