Infostealer ataca via FortiClient EMS

Atacantes estão explorando uma vulnerabilidade crítica no FortiClient Enterprise Management Server (EMS) para distribuir um infostealer em dispositivos corporativos. A falha, identificada como CVE-2026-35616, é um problema de controle de acesso impróprio que permite a execução remota de código por atacantes não autenticados. Pesquisadores da Arctic Wolf detectaram a campanha em andamento, com o payload malicioso disfarçado como uma atualização legítima do endpoint Fortinet.

Cadeia de ataque detalhada

O vetor de exploração segue um padrão preocupante: o atacante se conecta ao servidor EMS exposto na internet, abusa da falha de controle de acesso e injeta comandos que forçam os endpoints gerenciados a baixar e executar o malware. A árvore de processos observada pelos pesquisadores mostra o caminho fortitray.exe → cmd.exe → powershell.exe → FortiEndpoint_Patch.exe, onde o arquivo final é o infostealer disfarçado de patch legítimo.

O malware coleta credenciais salvas no navegador, certificados digitais, cookies de sessão e informações do sistema. Os dados são exfiltrados para servidores controlados pelos atacantes, dando acesso a redes corporativas inteiras a partir de um único ponto de entrada.

Cronologia do ataque:

  1. Atacante identifica servidor FortiClient EMS exposto na internet
  2. Explora CVE-2026-35616 (controle de acesso impróprio) sem autenticação
  3. Injeta script malicioso no canal de atualização do EMS
  4. Endpoints gerenciados baixam “FortiEndpoint_Patch.exe” — o infostealer
  5. Malware coleta credenciais, certificados e cookies dos navegadores
  6. Dados são exfiltrados para infraestrutura do atacante

CVE crítico afeta milhares de empresas

A vulnerabilidade afeta versões específicas do FortiClient EMS, utilizado por milhares de empresas para gerenciar centralmente os endpoints de suas redes. O FortiClient é um dos clientes VPN mais usados em corporações brasileiras, o que amplia significativamente a superfície de ataque no país. Segundo a watchTowr, a falha permite execução remota de código sem autenticação prévia, tornando-a um alvo valioso para grupos criminosos.

A Fortinet já liberou patches para as versões afetadas, mas a janela de exploração sem correção foi suficiente para que atacantes integrassem o exploit em campanhas ativas.

Impacto para empresas brasileiras

O FortiClient EMS tem ampla adoção no mercado corporativo brasileiro, especialmente em empresas que utilizam FortiGate como firewall perimeter. A combinação de VPN + gerenciamento centralizado de endpoints torna esses servidores alvos de alto valor. Sob a ótica da LGPD, um vazamento de credenciais obtido via infostealer pode gerar notificações obrigatórias à ANPD e aos titulares afetados.

  • Atualize imediatamente o FortiClient EMS para a versão com patch do CVE-2026-35616
  • Restrinja o acesso ao EMS via rede interna ou VPN; não exponha o servidor diretamente à internet
  • Monitore a árvore de processos fortitray.exe iniciando subprocessos cmd.exe ou powershell.exe
  • Revogue credenciais de endpoints comprometidos, priorizando contas administrativas

Fontes e referências